sábado, 26 de julho de 2014

Dobras das ondas

Olhem estas horas cinzas
estas horas claras
seus vulcões e planícies
seus ecos no espectro
da matéria escura
nos desvãos das hipercordas
dos multiuniversos
nas dobras das ondas
do maroceano da paixão
dos dédalos do amor
principio de tudo
desde o fiat lux
o sopro divino
o fogoágua e a terra
o maroceano das almas
e suas horas ebúrneas
convulsionadas e calmas
lúdicas e lúcidas
na loucura estranha
de mais alto e ir e surgir
logo de manhã quando
a vida etérea estende-se
rumo ao infinito de si mesma
na travessia dos dias todos
todos os dias sob o sol
e nada de novo a cantar
ou contar mas quanta novidade
no aprender a subir e seguir
a musa o poeta e o violão
e as horas cinzas
as horas claras
vulcões e planícies
abismos marítimos
e o maroceano da evolução.

Por um desejo

Ah! meu bom leitor, a senhora R., uma legítima Del Pietro, através da musa, me instiga a escrever crônica em vez de versos, que ela, a Del Pietro, prefere prosa a poesia, Machado a Drummond. Poeta, me quedo estupefato, afinal, meu paciente leitor, ela é professora, escrevinhadora, leitora nas madrugadas altas, faz digressões sobre o escrever e sobre o escrever do escrever, culta e bela, como cabe às mulheres do nosso tempo, naturalmente inteligentes. O que as torna mais preciosas e, quando musas, se benecomatas e de olhar verdeglauco, então, diamantinas virgens corajosas que miram longe no deserto e dentre as miragens que fazem o cotidiano nosso sob o sol.
Donde me pergunto o que escrever que contente esta leitora deste blog, ela, que considera a poesia, mas prefere a prosa, as frases construídas com princípio, meio e fim, o verbo no seu lugar, sujeito, predicado, advérbios, nomes e pronomes, adjuntos. aquelas coisas todas que nenhum de nós gostamos quando no aprendendo as letras. Pois neolatino, o nosso é um idioma difícil, belo e selvagem, bela e inculta última flor do Lácio. O preferido da moça que cultiva as  letras lá em São Paulo, naturalmente poliglota.
Mas, meu bom e paciente leitor, sei que estas questiúnculas que dizem respeito ao escrever sobre o escrever e sobre a palavra dada e solta ao vento ou grafada no papel, não são as preocupações suas, ligado nas redes sociais e as modernidades do tempo hodierno, o tempo do agora, dos aviões civis abatidos nas zonas de guerra, do recrudescimento da intolerância e da violência, do crescendo da desigualdade e do desrespeito. Que tempos, meu bom leitor, tanta incongruência e incoerência e desfaçatez.
Mas, para alegrar a visitante bissexta das palavras emimesmadas aqui postadas, penso que devo pervagar as planícies e planaltos da prosa, seus desfiladeiros e penhascos, as angras e abismos oceânicos, as tormentas, os debates em torno do escrever e as teorias todas sobre a palavra. E mais as circunscrições dos versos e reversos controversos da intertextualidade e suas atonalidades e as vastas canções de amor, os provençais e a canção de amor e o dela fim nestes tempos de funk e rap e reggae e o fim da canção e dos versos que conhecemos.
Por isso não canto, me descanto, camada a camada desfolhando um verso, uma frase, um período, um parágrafo, uma página, um livro e sua viagem, que todo livro de viagem o é. E mais a saudade da musa e a saudade da dela prima, a senhora Del Pietro, professoral e arguta, dona das palavras enfileiradas, esperança do escrever todos os dias, musa tardia, talvez, a palavra, em sua similitude com a navarra pintura dos dias e das trevas e da luz e da calma e da alma e do amanhecer dos sonhos e das lutas de todo os dias, das vírgulas e dos stop, a vida parou, ou foi o automóvel, ou o míssil que derrubou o avião ou o soneto que virou crônica, o verso que virou conto, o desconsolo das noites claras e a musa; ela, a musa, quando voltará com as lembranças do passado e o tempo colecionando os retratos da memória amarrotada que maltratam o coração. Donde ao desejo da senhora Del Pietro não respondo, com este final, ela, com seu ar professoral e escrevinhador a criticar os versos toscos que não conseguem virar crônica por prematuros e subnutridos do amor que acalanta as musas benecomatas loureiras e pluribelas de claro rio e amor demais.


No limite

A crônica do dia pede
poesia e calor luz do sol
no dia chuvoso e frio
saudades fartas da musa
benecomata e seu olhar
verdeglauco o beijo dela
como um sol de primavera
na alma do poeta aprendiz
desaguando versos e rimas
de amor amado e danado
na maldição da inveja
dos que cortejam a musa
no facebook no trabalho
no ônibus no shopping
nas redes sociais e nos
sonhos dela que o poeta
não entra e a crônica do dia
esperando o fim da chuva
para cantar mais saudade
do corpo castoclaro
da benecomata musa
altaneira e pluribela
serena e calma no limite
da espera a reclamar
mais ar e luz e lua
e romper da escuridão
do dia e sua crônica sem fim
de dizer o amor pela musa.


quarta-feira, 23 de julho de 2014

Luz das almas

O caminhar das almas e sua luz
parca e fraca na longa estrada
alumiando a vida a lida curtida
em dores e amores esperanças
rumo ao sol via estelar o cosmos
e suas hipercordas inflacionadas
o longo tempo de subida
nas vastidões do entendimento
do caminhar rumo às estrelas
conto de luzir a poesia de viver
todos os dias sob o sol
em busca de luz mais luz
de viver as várias vidas
nas dimensões várias
do universo em construção
dentro de si mesmas as almas
e seu caminhar em busca da luz.

domingo, 20 de julho de 2014

Paraíso

De nuvens e rios de raios
o olhar da musa pluribela
ensaia palavras tantas
tontas palavras de cantar
um verso diverso multiverso
um verso como uma flora
uma história, supernovas,
explosão de universos
os nomes do amor
no olhar da musa
e os rios de amar
no corpo nuvens e flores
ternura imensurável
o seu desejo
o meu desejo
multidão de beijos
um loureiro paraíso.

sábado, 19 de julho de 2014

Eclipse

Em completa escuridão
o poeta atravessa
a selva escura guiado
pelos louros da musa
em busca de claridade
no deserto da alma
limbo da desesperança
quando se entra
nos convulsos dias
do aprendizado de viver
todos os dias sob o sol
e nada de novo no tempo
transversal das vidas
várias vividas e as que virão
da evolução no bojo
braços do amor
casa das palavras
o nome da musa
e o seu beijo
quando o poeta
deixa a selva escura
do seu eumano coração.

quinta-feira, 17 de julho de 2014

Rumor de sedição

Quiçá nas tramas
de uma nova manhã
tece o sol alegria
pulverizada na flor
que enfeita um jardim
no dia claro de inverno
rumor de sedição
nos passos da aurora
dedirrósea loureira
nos passos da musa
no frontispício do verbo
que abre a cantiga
de um novo cantar de amor
urdiduras de escrever
e sobrescrever
reescrever o canto
de alegria de ressurgir
das cinzas imemoriais
do fugidio inconsciente
nos entrechos do viver
todo dia sob o sol.